
Lutino, Pastelino, Cremino e Albino podem parecer quatro tipos completamente diferentes de calopsitas.
Uma é amarela.
Outra apresenta tonalidades amarelo-pastel.
Outra parece creme.
Outra é praticamente branca.
Mas existe uma maneira muito mais simples — e biologicamente mais útil — de compreender todas elas.
Nos quatro casos, existe um mesmo componente fundamental:
Ino.
O que muda é o fundo sobre o qual o Ino está sendo expresso.
A lógica pode ser resumida assim:
Fundo Amarelo + Ino → Lutino
Fundo Pastel + Ino → Pastelino
Fundo Creme + Ino → Cremino
Fundo Branco + Ino → Albino
Essa sequência transforma quatro nomes aparentemente independentes em um único sistema.
Primeiro compreendemos o que o Ino faz com a melanina.
Depois observamos quais psitacinas permanecem disponíveis no fundo da ave.
A aparência final nasce da combinação desses dois fenômenos.
O que é Ino?
Ino pertence ao grupo das mutações que provocam uma redução extremamente intensa da pigmentação melânica.
Na Biblioteca Técnica PRIME, o Lutino é descrito como uma ave com ausência quase completa de melanina na plumagem, nos olhos e em diferentes estruturas córneas.
O Manual FOB/OBJO utiliza, no contexto do standard fenotípico, a expressão ausência total de melaninas para as aves Ino.
As duas formulações descrevem o mesmo resultado visual de maneira ligeiramente diferente.
Neste artigo, utilizaremos preferencialmente:
redução drástica ou ausência fenotípica praticamente completa da melanização.
Essa redação permite manter o conceito visual do standard sem transformar uma descrição fenotípica em uma afirmação molecular mais absoluta do que as evidências disponíveis exigem.
O Ino não cria amarelo
Esse é o primeiro conceito essencial.
Quando uma calopsita Lutino apresenta plumagem amarela intensa, é comum imaginar que a mutação tenha criado o amarelo.
Não criou.
As psitacinas amarelas e alaranjadas já estavam presentes.
O que o Ino fez foi retirar grande parte da melanização que anteriormente participava da aparência da plumagem.
Com a melanina drasticamente reduzida, as psitacinas tornam-se visualmente predominantes.
A Biblioteca PRIME resume esse princípio de forma clara: o amarelo do Lutino resulta da exposição das psitacinas pela ausência da melanina.
Portanto:
Ino modifica principalmente a melanização.
O fundo determina quanto amarelo e laranja continuará visível depois disso.
Primeiro o fundo, depois o Ino
No artigo sobre os fundos das calopsitas, organizamos quatro condições principais de expressão das psitacinas:
Fundo Amarelo — expressão plena.
Fundo Pastel — redução moderada.
Fundo Creme — redução mais intensa.
Fundo Branco — ausência visual das psitacinas.
O Manual FOB/OBJO utiliza como referências fenotípicas aproximadamente:
| Fundo | Expressão visual de psitacinas |
|---|---|
| Amarelo | 100% |
| Pastel | 50% |
| Creme | 20% |
| Branco | 0% |
Esses percentuais são referências de classificação fenotípica, e não dosagens bioquímicas individuais.
Agora podemos aplicar o mesmo Ino sobre cada um desses contextos.
É daí que surgem Lutino, Pastelino, Cremino e Albino.
Lutino — Ino em Fundo Amarelo
O Lutino é a expressão clássica do Ino sobre Fundo Amarelo.
Nesse fundo, as psitacinas permanecem plenamente expressas.
Ao mesmo tempo, o Ino reduz drasticamente a melanização.
O resultado típico apresenta:
- plumagem predominantemente amarela;
- manchas auriculares alaranjadas;
- olhos vermelho-rubi;
- bico claro;
- patas claras ou rosadas;
- unhas pouco pigmentadas.
A Biblioteca PRIME destaca exatamente esse conjunto como base da identificação do verdadeiro Lutino.
Portanto:
Lutino não significa simplesmente “calopsita amarela”.
A identificação depende da combinação entre plumagem, olhos e redução da pigmentação em outras estruturas.
Por que os olhos do Ino são vermelhos?
A melanização também participa da pigmentação ocular.
Quando ela é drasticamente reduzida, os tecidos tornam-se muito menos pigmentados e a vascularização subjacente passa a contribuir para a aparência avermelhada do olho.
É por isso que o olho vermelho-rubi constitui uma característica particularmente útil na identificação das aves Ino.
A Biblioteca PRIME também associa o mesmo mecanismo à menor pigmentação do bico, patas e unhas.
Assim, o Ino não é uma alteração exclusiva da pena.
Ele produz uma transformação pigmentária mais ampla.
Pastelino — Ino em Fundo Pastel
O Pastelino pode ser compreendido como:
Fundo Pastel + Ino.
O Ino continua exercendo exatamente seu papel principal:
reduzir drasticamente a melanização.
Mas agora ele atua sobre uma ave cuja expressão de psitacinas já está moderadamente reduzida pelo Fundo Pastel.
Por isso, o resultado esperado é diferente do Lutino tradicional.
No Lutino, as psitacinas permanecem intensas.
No Pastelino, elas aparecem em intensidade menor.
Assim, esperamos encontrar um fenótipo:
- muito claro;
- com melanização drasticamente reduzida;
- olhos vermelhos;
- bico e patas claros;
- amarelo mais suave que no Lutino;
- tonalidades alaranjadas também reduzidas de acordo com o fundo.
O ponto mais importante é:
Pastelino não precisa ser interpretado como um segundo tipo de Ino.
O componente Ino é o mesmo conceito.
O que muda é o fundo de psitacinas.
Pastelino não é um Lutino “ruim de cor”
Essa distinção é fundamental para seleção.
Uma ave Ino de Fundo Pastel não deve ser julgada como se fosse simplesmente um Lutino com amarelo insuficiente.
A redução das psitacinas faz parte da identidade de seu fundo.
Portanto, quando o objetivo é produzir Pastelino, uma expressão amarelo-pastel coerente não representa deficiência de cor.
Representa o fenótipo esperado.
Esse princípio é exatamente o mesmo que aprendemos no artigo dos fundos:
qualidade não significa sempre maior intensidade.
Qualidade significa expressão coerente com aquilo que geneticamente queremos selecionar.
Cremino — Ino em Fundo Creme
O Cremino segue a mesma lógica.
Temos:
Fundo Creme + Ino.
O Fundo Creme apresenta uma redução visual de psitacinas mais intensa que o Fundo Pastel.
O Ino reduz drasticamente a melanização.
O resultado esperado é uma ave ainda mais suave em tonalidade que o Pastelino.
Podemos esperar:
- plumagem muito clara;
- expressão creme;
- olhos vermelhos;
- bico claro;
- patas claras;
- unhas pouco pigmentadas;
- psitacinas visíveis, porém em intensidade bastante reduzida.
O Cremino não deve ser confundido com Albino.
No Cremino ainda existe expressão visível de psitacinas.
No Albino, o Fundo Branco remove esse componente visual.
Pastelino × Cremino
Essa comparação pode ser difícil, especialmente por fotografia.
Nos dois casos:
- o Ino reduz drasticamente a melanização;
- os olhos são vermelhos;
- bico, patas e unhas tendem a ser claros.
A principal diferença está no fundo de psitacinas.
Pastelino
Fundo Pastel.
Amarelo mais evidente.
Expressão alaranjada reduzida, mas ainda relativamente perceptível.
Cremino
Fundo Creme.
Expressão de psitacinas mais baixa.
Tonalidade geral mais próxima do creme.
Amarelo e laranja visualmente mais discretos.
Por isso, a comparação ideal precisa ser feita sob:
- mesma iluminação;
- ausência de filtros;
- balanço de branco controlado;
- aves de idade semelhante;
- referências fenotípicas confiáveis.
Albino — Ino em Fundo Branco
No outro extremo está o Albino.
Na linguagem técnica utilizada pelo Manual FOB/OBJO, podemos descrevê-lo como:
Fundo Branco Ino.
O Manual explica diretamente que, nas aves de Fundo Branco associadas ao fator Ino, desaparecem tanto as psitacinas quanto as melaninas visíveis, produzindo uma ave totalmente despigmentada no padrão esperado.
Em nossa linguagem didática:
Fundo Branco + Ino → Albino.
No Fundo Branco:
as psitacinas não são visualmente expressas.
No Ino:
a melanização é drasticamente reduzida.
O resultado é:
- plumagem predominantemente branca;
- ausência da máscara amarela;
- ausência da mancha auricular alaranjada;
- olhos vermelho-rubi;
- bico claro;
- patas claras;
- unhas claras.
Albino não é uma mutação Ino diferente
Esse ponto merece bastante clareza.
Lutino e Albino não precisam ser explicados como dois “genes de despigmentação” diferentes.
O componente Ino é compartilhado.
O que mudou foi o fundo.
Compare:
Lutino
Fundo Amarelo + Ino
Psitacinas presentes.
Resultado visual: amarelo e laranja.
Albino
Fundo Branco + Ino
Psitacinas ausentes.
Resultado visual: branco.
O Ino continua fazendo a mesma coisa com a melanização.
A diferença final vem da quantidade de psitacinas disponível para aparecer.
Uma sequência visual única
Agora conseguimos organizar os quatro fenótipos de maneira muito simples:
LUTINO
Fundo Amarelo + Ino
Psitacinas intensas
↓
PASTELINO
Fundo Pastel + Ino
Psitacinas moderadamente reduzidas
↓
CREMINO
Fundo Creme + Ino
Psitacinas fortemente reduzidas
↓
ALBINO
Fundo Branco + Ino
Psitacinas visualmente ausentes
Em todos eles:
o componente Ino reduz drasticamente a melanização.
Esse é o elo que conecta o sistema inteiro.
O Manual FOB/OBJO e as aves Ino diluídas
O Manual FOB/OBJO não organiza necessariamente Pastelino e Cremino como classes independentes com esses nomes.
Entretanto, ao tratar da classe Ino, registra que aves intensas concorrem junto com aves diluídas de psitacina, com possibilidade futura de separação de classes caso exista quantidade suficiente de exemplares.
Isso é coerente com o princípio central deste artigo:
o Ino pode ser observado em diferentes condições de expressão das psitacinas.
Portanto, os termos Pastelino e Cremino são úteis na criação para indicar qual fundo está associado ao Ino, sem precisar imaginar mecanismos Ino diferentes.
Qual é a herança do Ino?
O Ino apresenta herança recessiva ligada ao sexo.
Nas aves:
machos são ZZ;
fêmeas são ZW.
O alelo relacionado ao Ino está associado ao cromossomo Z dentro do modelo utilizado pela Biblioteca PRIME.
Essa diferença cromossômica produz consequências extremamente importantes para a criação.
Machos podem ser portadores de Ino
Como o macho possui dois cromossomos Z, ele pode possuir uma cópia ancestral e uma cópia do alelo Ino.
Nesse caso, pode permanecer visualmente não Ino.
Mas consegue transmitir o alelo aos descendentes.
É o:
macho portador de Ino.
Esse indivíduo pode ter enorme importância em um programa de seleção.
Sua aparência não revela necessariamente aquilo que carrega geneticamente.
Fêmeas não são portadoras ocultas de Ino
A fêmea possui apenas um cromossomo Z.
O outro cromossomo sexual é W.
Assim, quando recebe o alelo Ino em seu único Z correspondente, expressa a mutação.
Por isso, no modelo utilizado para as calopsitas:
fêmea não Ino → não possui Ino oculto nesse locus;
fêmea Ino → expressa a mutação.
A Biblioteca PRIME resume esse princípio de forma direta: machos podem ser portadores sem apresentar a mutação, enquanto fêmeas não apresentam a mesma condição de portadora oculta.
O fundo e o Ino precisam ser registrados separadamente
Esse princípio se torna especialmente importante quando começamos a trabalhar com Pastelino, Cremino e Albino.
Uma coisa é perguntar:
a ave possui Ino?
Outra é perguntar:
qual é o fundo da ave?
São informações diferentes.
Por isso, um registro tecnicamente útil pode ser feito como:
Ino — Fundo Amarelo
Ino — Fundo Pastel
Ino — Fundo Creme
Ino — Fundo Branco
E, entre parênteses, podemos acrescentar a nomenclatura tradicional:
Lutino
Pastelino
Cremino
Albino
Essa forma de registrar preserva imediatamente a lógica genética e pigmentária.
A herança do fundo não deve ser confundida com a herança do Ino
Esse é um cuidado muito importante.
O fato de Ino ser recessivo ligado ao sexo não significa que o fundo da ave obrigatoriamente siga o mesmo padrão de herança.
Quando trabalhamos com fenótipos combinados, precisamos decompor geneticamente cada componente.
Por exemplo, no Albino:
Ino possui sua herança ligada ao sexo.
Fundo Branco possui seu próprio padrão hereditário.
Por isso, prever corretamente a produção de Albinos exige acompanhar os dois componentes ao mesmo tempo.
Esse mesmo raciocínio deve ser utilizado ao trabalhar com fundos Pastel e Creme.
“Portador de Pastelino” é uma expressão que exige cuidado
Como Pastelino é uma combinação, dizer apenas:
“macho portador de Pastelino”
pode esconder informações importantes.
O tecnicamente mais útil é registrar os componentes conhecidos.
Por exemplo:
macho portador de Ino
mais a informação genética conhecida sobre o Fundo Pastel.
O mesmo raciocínio vale para Cremino e Albino.
Quando uma combinação envolve dois sistemas hereditários, o pedigree deve documentar os componentes individualmente.
Isso reduz erros ao longo das gerações.
Como identificar se uma ave pertence ao grupo Ino
Antes de tentar decidir entre Lutino, Pastelino, Cremino ou Albino, confirme primeiro o Ino.
Procure um conjunto coerente de sinais:
Olhos
Vermelho-rubi.
Melanização da plumagem
Drasticamente reduzida.
Bico
Claro.
Patas
Claras ou rosadas.
Unhas
Pouco pigmentadas.
Plumagem
Sem as regiões cinza e negras normalmente produzidas pela melanização ancestral.
Esse conjunto é muito mais confiável que simplesmente observar se a ave é “clara”.
Depois de confirmar Ino, identifique o fundo
Agora observe as psitacinas.
Amarelo intenso e laranja evidente?
Investigue:
Lutino.
Amarelo mais suave, mas claramente presente?
Investigue:
Pastelino.
Tonalidade creme, com psitacinas bastante reduzidas?
Investigue:
Cremino.
Ausência de amarelo e laranja?
Investigue:
Albino / Fundo Branco Ino.
Essa sequência evita tentar memorizar quatro aves independentes.
Os olhos não diferenciam Lutino, Pastelino, Cremino e Albino
Essa é uma observação importante.
Como todos compartilham o componente Ino, todos podem apresentar a característica ocular associada ao Ino.
Portanto, o olho vermelho ajuda a responder:
“Existe Ino?”
Mas não responde sozinho:
“Qual dos quatro fenótipos é este?”
Para isso precisamos observar o fundo de psitacinas.
Fotografia é especialmente perigosa nessa comparação
Lutino, Pastelino e Cremino podem ser confundidos facilmente quando fotografados sob condições diferentes.
Uma câmera pode alterar:
- amarelo;
- creme;
- saturação;
- temperatura de cor;
- tonalidade das manchas auriculares.
Uma ave Lutino fotografada com baixa saturação pode parecer Pastelino.
Uma Pastelino superexposta pode parecer Cremino.
Uma Cremino sob luz fria pode parecer quase branca.
Por isso, quando a identificação for importante, utilize:
- luz natural difusa;
- fundo neutro;
- ausência de filtros;
- exposição controlada;
- diferentes fotografias;
- referência conhecida.
Albino costuma ser mais fácil de separar
O Albino possui uma diferença conceitualmente mais clara.
Como está sobre Fundo Branco, não deve apresentar a expressão amarela e alaranjada típica dos demais fundos.
Portanto:
olhos vermelhos + plumagem branca + ausência de amarelo e laranja
formam um conjunto fortemente compatível com Fundo Branco Ino.
Mesmo assim, iluminação e histórico continuam importantes.
Identificação técnica nunca deve se resumir a uma única fotografia.
Macho e fêmea podem ser difíceis de distinguir visualmente
O Manual FOB/OBJO permite que ambos os sexos concorram na classe Ino justamente devido à difícil distinção visual entre eles.
A razão é compreensível.
Grande parte dos sinais utilizados para sexagem visual tradicional depende justamente da pigmentação melânica.
Quando o Ino reduz drasticamente essa pigmentação, diferentes marcadores podem desaparecer ou se tornar muito pouco confiáveis.
Por isso, em aves Ino, a sexagem molecular pode ser especialmente útil.
A primeira muda nem sempre resolve a sexagem
Em muitas calopsitas, a primeira muda torna o dimorfismo visual muito mais evidente.
No Ino, isso pode não ocorrer com a mesma clareza.
Como grande parte da melanização está ausente, barras, marcações e contrastes tradicionalmente utilizados para diferenciar os sexos podem não estar disponíveis.
Portanto:
não prometa sexagem visual apenas porque a ave já realizou a primeira muda.
Quando houver dúvida relevante, utilize métodos mais confiáveis.
Ino não significa fragilidade
Aves Ino são plenamente viáveis.
Não devemos transformar uma alteração de pigmentação em uma conclusão geral sobre saúde.
A Biblioteca PRIME, entretanto, registra que alguns indivíduos podem apresentar maior sensibilidade à luz, uma vez que a melanina participa da proteção contra radiação luminosa.
A formulação correta é:
alguns indivíduos podem apresentar maior sensibilidade luminosa.
Não:
“todo Lutino, Pastelino, Cremino ou Albino é sensível à luz.”
O manejo deve responder à ave real.
A falha de penas na nuca não define Ino
Algumas linhagens Ino ficaram conhecidas pela presença de falhas de plumagem na região posterior à crista.
O próprio Manual FOB/OBJO reconhece que pequenas falhas naturais podem ocorrer em algumas aves Ino e Fulvos e estabelece critérios de penalização no julgamento.
Mas isso não significa que a falha seja necessária para identificar Ino.
Muito menos que deva ser tratada como característica desejável.
Ino não é sinônimo de falha na nuca.
Programas de seleção devem favorecer boa cobertura e qualidade de plumagem.
Seleção: primeiro a ave, depois a tonalidade
Lutino, Pastelino, Cremino e Albino podem exercer grande atração visual.
Isso pode criar um problema quando a seleção passa a priorizar exclusivamente a cor.
O programa precisa avaliar:
- saúde;
- fertilidade;
- estrutura corporal;
- plumagem;
- vigor;
- comportamento;
- pedigree;
- diversidade genética;
- qualidade da descendência.
A Biblioteca PRIME destaca que a popularização do Lutino historicamente levou alguns programas a priorizarem excessivamente a aparência, reforçando a necessidade de seleção mais equilibrada.
Não tente transformar Pastelino em Lutino intenso
Se estamos selecionando Pastelino, o objetivo não é aumentar indefinidamente a intensidade das psitacinas até que ele pareça Lutino.
O fundo precisa conservar sua identidade.
Da mesma forma:
um Cremino não deve ser julgado apenas pela proximidade com o branco.
Uma expressão extremamente apagada pode dificultar a distinção do Fundo Creme.
Seleção técnica busca identidade coerente, não simplesmente extremos.
Pedigree é indispensável
O Ino é ligado ao sexo e pode permanecer oculto em machos portadores.
Os fundos também acrescentam outras informações ao genótipo.
Quanto mais complexa a combinação, mais importante é documentar:
- pais;
- avós;
- sexo;
- fundo;
- presença de Ino;
- possíveis portadores;
- mutações adicionais;
- descendência;
- fotografias;
- resultados reprodutivos.
Um pedigree que registra apenas “Albino”, “Pastelino” ou “Cremino” perde parte da informação.
O ideal é também registrar os componentes genéticos conhecidos.
Probabilidade não é garantia
Conhecendo o genótipo dos reprodutores, podemos calcular probabilidades para o componente Ino.
Mas os percentuais representam expectativas estatísticas.
Não determinam exatamente a composição de cada pequena ninhada.
Além disso, para produzir Pastelino, Cremino ou Albino, não basta acompanhar o Ino.
Precisamos acompanhar também o fundo.
Portanto, quanto mais componentes entram na combinação, mais importante se torna modelar cada locus ou sistema separadamente.
O melhor cruzamento não é necessariamente o que produz mais Inos
Um cruzamento pode produzir elevada proporção de aves Ino e, ainda assim, não representar a melhor estratégia de seleção.
Talvez seja necessário:
- introduzir uma nova linhagem;
- melhorar porte;
- melhorar plumagem;
- recuperar fertilidade;
- reduzir parentesco;
- melhorar expressão de determinado fundo.
Um macho portador de Ino com excelente estrutura pode ser mais valioso para determinada geração do que um macho visual de qualidade inferior.
Genética aplicada não busca apenas produzir a aparência.
Busca construir uma população melhor ao longo do tempo.
Um quadro comparativo
| Fenótipo | Fundo | Melanização com Ino | Psitacinas visíveis | Aparência geral |
|---|---|---|---|---|
| Lutino | Amarelo | Drasticamente reduzida | Intensas | Amarela |
| Pastelino | Pastel | Drasticamente reduzida | Moderadamente reduzidas | Amarelo-pastel |
| Cremino | Creme | Drasticamente reduzida | Fortemente reduzidas | Creme |
| Albino | Branco | Drasticamente reduzida | Ausentes | Branca |
Em todos:
- olhos associados ao Ino permanecem avermelhados;
- pigmentação córnea tende a ser reduzida;
- o componente Ino segue o mesmo princípio genético básico.
O que muda principalmente é a disponibilidade visual das psitacinas determinada pelo fundo.
Erros frequentes
Achar que Lutino, Pastelino, Cremino e Albino são quatro mutações Ino diferentes
O Ino é o elemento comum.
Chamar qualquer ave amarela de Lutino
É necessário confirmar o conjunto de características do Ino.
Chamar qualquer ave branca de Albino
O componente Ino precisa estar presente.
Ignorar os olhos
Eles constituem uma das evidências mais úteis do grupo Ino.
Utilizar somente os olhos
Olhos vermelhos confirmam uma pista sobre melanização, mas não definem o fundo.
Confundir Pastelino e Cremino pela fotografia
Iluminação pode alterar profundamente essa comparação.
Falar em “portador de Albino” ou “portador de Pastelino” sem decompor os componentes
O registro precisa informar o que realmente está sendo portado.
Tratar todas as aves Ino como frágeis
Não existe base para essa generalização.
Normalizar falhas importantes de plumagem
Uma característica recorrente de determinadas linhagens não deve ser automaticamente transformada em padrão desejável.
Selecionar apenas pela cor
Saúde, estrutura, fertilidade e diversidade continuam acima do impacto visual.
O Ino nos ensina uma ideia maior
Talvez a maior lição deste grupo seja que o mesmo mecanismo pode produzir aparências diferentes dependendo do sistema sobre o qual atua.
O Ino faz essencialmente a mesma coisa em todos os quatro casos:
reduz drasticamente a melanização.
Mas o resultado visual depende das psitacinas que permanecem disponíveis.
Se há muita psitacina:
vemos Lutino.
Se há menos:
vemos Pastelino.
Menos ainda:
Cremino.
Sem psitacinas:
Albino.
Isso demonstra por que a genética das calopsitas se torna muito mais simples quando abandonamos listas de nomes e começamos a compreender sistemas.
Resumo técnico
Ino é uma mutação caracterizada por redução extremamente intensa da melanização.
Esse efeito produz:
- olhos vermelho-rubi;
- redução da pigmentação de bico, patas e unhas;
- desaparecimento das regiões cinza e negras típicas da melanização ancestral.
A aparência final depende do fundo de psitacinas sobre o qual o Ino se expressa.
Assim:
Fundo Amarelo + Ino = Lutino
Fundo Pastel + Ino = Pastelino
Fundo Creme + Ino = Cremino
Fundo Branco + Ino = Albino
No Lutino, as psitacinas permanecem intensas.
No Pastelino, encontram-se moderadamente reduzidas.
No Cremino, apresentam redução mais intensa.
No Albino, não são visualmente expressas.
O Ino apresenta herança recessiva ligada ao sexo.
Machos são ZZ e podem ser portadores não visuais.
Fêmeas são ZW e não apresentam a mesma condição de portadora oculta.
A herança do fundo deve ser considerada separadamente da herança do Ino.
Por isso, combinações como Pastelino, Cremino e Albino precisam ser decompostas em seus componentes para planejamento genético adequado.
A identificação começa confirmando o Ino por meio da análise conjunta de:
- olhos;
- plumagem;
- bico;
- patas;
- unhas.
Depois identificamos o fundo observando a expressão das psitacinas.
E, finalmente, utilizamos pedigree e histórico reprodutivo para interpretar aquilo que o fenótipo sozinho não consegue mostrar.
Lutino, Pastelino, Cremino e Albino parecem quatro respostas diferentes.
Mas, quando compreendemos o sistema, percebemos que são quatro resultados produzidos pela interação entre uma mesma alteração melânica e quatro fundos pigmentares diferentes.
